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4.6.12

Um até já



Conteúdo: Boas... É chegada a hora de concluir esta minha ultima etapa de dinamização do blog.
Como tal e porque em relação ao livro e à sua autora, muito já foi dito, aproveito este post para deixar um convite a todos para a apresentação do trabalho do meu grupo, que se realizará na próxima 4ª feira, dia 6 de Junho na aula de gramática II, pelas 20:30. Este trabalho englobará os quatro livros referentes a cada elemento dinamizador do blog.
Assim sendo, e na expectativa da presença de todos, aqui deixo um até já e o meu agradecimento pelo interesse.

25.5.12

Leia, liberte e siga

E porque o tempo urge e o final do semestre se aproxima e com ele o compromisso de elaborar o relatório sobre o blog que dinamizei, quer isto dizer que estou a chegar ao final das minhas postagens acerca do livro que propus promover, no entanto, e porque considero uma pérola que tem de ser aproveitada, deixo uma sugestão que considero aliciante, para dinamizar a leitura.
www.bookcrossing-portugal.com


O Bookcrossing é o acto de deixar livros num espaço público, para que possam ser encontrados por outros, que irão continuar a cadeia, com o objectivo de transformar todo o mundo numa biblioteca.
Depois de registados os livros no site e de serem deixados num local público com a devida identificação, basta esperar que sejam encontrados por um novo leitor, que percorre o seu caminho para o site e deles dá notícias.

Bora lá experimentar?

17.5.12

Aqui deparamo-nos com uma visão pessimista desta sociedade, apresentada pela autora, que encontra na imitação daquilo que é estrangeiro, o meio para esquecer e fustigar origens rústicas que não consegue ocultar, acreditando que, deste modo, se poderá adaptar ao mundo moderno e alcançar o ponto de evolução que tanto deseja


Assim sendo há que salientar que nestas partys, ainda que se tente usar termos estrangeiros (inglês e francês) nem tudo acontece conforme a presunção que os seus frequentadores querem fazer transparecer, ocorrendo, portanto inúmeras manifestações de indelicadeza, fazendo lembrar as suas origens rústicas.
Estamos portanto, perante uma ilusão de mudança e progresso, já que estes elementos lutam para ser aquilo a que jamais chegarão, dissipando-se também das suas origens e desenvolvendo assim uma imensa dificuldade em alcançarem uma identificação cultural.

Exposição Lidia Jorge - 2011

30.4.12


Esta narrativa, estruturada em dez capítulos que giram em torno de um grupo composto de homens e mulheres, aborda a forma como estes se interrelacionam e interagem com sua identidade portuguesa. No seu decorrer assistimos a uma situação de alienação e de crise de identidade que parece marcar a vida dos portugueses nos dias atuais.

Todas as personagens da obra são pessoas trabalhadoras que, presas à produção agrária, rumam em direção ao litoral, motivadas por novos e grandes empreendimentos, daí o conceito de merenda, descanso breve entre as lidas rurais, trazia à memória daquele grupo, um passado miserável e por isso deveria ser esquecido, enterrado.
A party, por oposição, representava a bonança, o tempo de fartura.
 A fim de escaparem da rotina do trabalho na terra, o grupo observa na construção do Hotel Alguergue oportunidade especial de mudança, contudo, a espera pelos turistas sempre por chegar, transporta-os para um plano de inercia e inacção permanente.

Há até quem diga que esta espera se relaciona com o mito sebastianista… já que em ambos os casos, alguém aguarda a chegada de alguém que virá resolver os seus problemas.

24.4.12

“A décima foi anunciada não como merenda, coisa que lembraria figos, mas já como party, ajuntamento que falava festa, doces gestos (…)” 
E era assim que se chamaria a partir de então, Party!!! A esta altura do campeonato, penso que a diferença está à vista: as merendas faziam lembrar o tempo das ceifas, os dias a trabalhar de sol a sol, a canseira que era trabalhar a terra, a pobreza da própria refeição. 
“Lembrava a era do trabalho sem hora, de sol a sol, o calor a dar nas abas do chapéu de uma pessoa como uma bofetada de luz”. 
As partys não!!! As partys eram os encontros igualmente bucólicos, sim, mas de mulheres e homens bem vestidos, cuidados, lembrando a nobreza.
 “As mulheres tinham vestido saia comprida (…)algumas com folho e fitilho (…) xaile com cadilho de fio brilhante”.
“Os homens vestiam camisas de xadrez e punham cachimbos que sugavam nos cantos das bocas (…)”

Agora então não resta sobra de dúvida: Meus caros, estamos a falar de encontros ociosos, de gente “aparentemente” nobre… e por isso toda e qualquer ligação com a palavra “merendas” teria para eles uma grande carga de sentido pejorativo!!!

Deste modo, “partys” seria um conceito totalmente “in”, quo elevasse ao expoente máximo da alta sociedade.

Liderando este grupo das partys, destaca-se um homem chamado Sebastião Guerreiro, comicamente apelidado de Sebastião Cagaça. Ele é quem os conduz ao Hotel Alguergue para trabalharem nos serviços subalternos.

19.4.12

Ao longo de algumas semanas terei a oportunidade e a honra de dar a conhecer à cibercomunidade este romance.
Esta é uma obra caracterizada pelo subjectivismo feminino onde a autora alude, a todo o momento, à sociedade da época, abordando a nu as acções humanas. 
E assim que comecei a ler a obra, vi-me confrontada com a diferença entre “merendas” e “partys”. Achei curioso e continuei a ler para tentar entender a diferença. Pese embora os dois conceitos até tenham algo em comum, a autora soube, como ninguém estabelecer a diferença entre eles.
 Assim sendo, e até ao próximo post, gostaria que reflectissem sobre estas duas imagens… ambas paisagens bucólicas, contudo detentoras de realidades diferentes.



Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, Algarve, em 1946.
Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, tendo sido professora do Ensino Secundário.
O seu romance O Cais das Merendas (1982), foi distinguido com o Prémio Literário Cidade de Lisboa.
Este romance, desenvolvido em torno dos temas da identidade e da aculturação, é uma narrativa poética, teatralizada, em que as personagens rurais, confrontadas com o mundo exterior, dão testemunho da sua intimidade, seus medos e desejos.
A acção desenrola-se à  beira-mar, numa praia do Sul de Portugal, girando as figuras em torno de um pólo central, um hotel ocupado durante a época alta por turistas de várias nacionalidades, e completamente despovoado durante  os meses de  Inverno.
Assim, é nos momentos em que o hotel fica vazio que sentem necessidade de recorrer às parties, aos barbecues e às nocturnas, que substituem as ultrapassadas merendas, onde se embriagam e dão largas aos sentimentos mais profundos fazendo desfilar os seus medos, as suas inseguranças, os seus desamores, as suas desilusões...

12.4.12

Sinopse - O Cais das Merendas

Publicado em 1982, O Cais das Merendas, segundo romance de Lídia Jorge, desenvolve-se em torno dos temas da identidade e da aculturação. Trata-se de uma narrativa poética, teatralizada, em que as personagens rurais, confrontadas com o mundo exterior, dão testemunho da sua intimidade, seus medos e desejos mais fundos. Neste caso, a acção desenrola-se à beira-mar, numa praia do Sul de Portugal, girando as figuras em torno de um pólo central, o Hotel Alguergue. Ocupado durante a época alta por turistas de várias nacionalidades, o hotel fica completamente despovoado durante  os meses de  Inverno. É então que os naturais da zona, esquecidos dos seus hábitos, precisam de se embriagarem para voltarem a usar a sua língua materna, e recitarem em voz alta as histórias tradicionais do seu país. Figuras como Rosarinho, pai Patroços, Miss Laura ou Sebastião Guerreiro, que vemos desfilar durante esses parties interpretam a hesitação de uma comunidade dividida entre o desejo de se modernizar e de manter o que de si mesma entende por próprio e genuíno. O Cais das Merendas apresenta-se como uma espécie de anti-epopeia colectiva, sugestão dada inclusive pela divisão em dez capítulos. O último parágrafo do livro poderá servir de emblema a esta espécie de saga portuguesa sobre o esquecimento de si.
O Cais das Merendas obteve o Prémio Cidade de Lisboa referente ao ano em que foi publicado