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4.6.12

Nota de Despedida



O País vai de mal a pior e estamos mesmo a precisar de mimos. E nada melhor do que este “Abraço” de José Luís Peixoto é um “Abraço” é tão intimista, tão terno e tão informal.
Abraço entre a vida do próprio autor e das vidas que quisermos ler e ser, um abraço de palavras e de vida.
Levei algum tempo a ler este livro. Li devagar, parei, em certos momentos, não sei bem porquê, talvez pelo facto porque me revejo em tantas passagens…
SIMPLESMENTE ADOREI! Recomendo!
«Agora vai. Tens a vida à espera de abraçar-te.»

(trinta e seis anos anos)



As viagens à Índia, Alemanha, Japão, Estados Unidos, França, as tatuagens e os piercings marcados na sua pele, o fascínio pela literatura e pelos livros, a sua banda de grindcore Hipocondríacos, a política, o ensino, o punk que ainda existe dentro de si e, acima de tudo, o amor… E claro não podia deixar de fazer referência a homenagem como a José Saramago, «TENHO UMA FOLHA EM BRANCO À FRENTE, da mesma maneira que ele teve tantas vezes. Começo por escrever uma frase, da mesma maneira que ele fez tantas vezes. É isso que os escritores fazem. (…) A pessoa que escreve é uma pessoa. (…) Termino este texto breve, como ele terminou tantas vezes outros tantos textos, mas sei que não termina efetivamente aqui. O seu significado continua, o seu tempo continua. Tudo continua, exceto nós.»

(catorze anos)


Aos catorze anos, os sonetos de Florbela Espanca deram-lhe impulso para escrever…
Aos catorze anos, todos vivemos o primeiro amor, o primeiro beijo, a rebeldia, temos o mundo inteiro à nossa frente, mas no entanto todos os vivem de forma diferente …
-TENS RAZÃO. EU TIVE CATORZE ANOS, mas não tive os teus catorze. Tive os meus. As dúvidas eram diferentes e, quando é assim, as certezas também variam. (…) Afinal o mundo é um único, não Achas? – Talvez . – Tens razão. Há tanos mundos quantas maneiras de o olhar e, por consequência, de o entender. Isso é muito evidente quando regresso ao meu quarto de infância e adolescência, aquele onde, com catorze anos, me deitava a pensar, a imaginar. Hoje, se me deito nessa cama, não tenho o mesmo tempo.»
Quando penso que a minha filha também vai ter catorze anos, quero que ela acredite que tudo é possível…
Impossível é não viver, do qual cito: «Se te quiserem convencer de que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. (…) Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos. (…) Nunca duvidamos de que somos maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.»

31.5.12

Recensão critica à obra

Abraço





Que nunca o abraço se possa comprar, pois é ele o melhor que se pode dar.
Que nunca quem abraça seja apenas os braços, que se toquem com os dedos todos os traços. Que seja quem abraça também abraçado, que seja o abraço o lugar de todo o lado.
Que se brinde ao corpo, à festa e ao sim, e que ninguém se conforme com o assim-assim.
Que se dancem as dores, que se lambam as feridas, e que todas as lágrimas sejam meras recaídas.
E que se erga um castelo de arfares, e que se construa um orgasmo de amares.
 E que eu seja o por dentro de abraçar, o bastidor de sonhar – e que eu seja o viver e nunca o restar.
Que seja quem ama o dono dos meus braços, pois é no meio deles que me uno os pedaços.
Que nunca o abraço se possa comprar, pois é ele o melhor que se pode dar. 
(Pedro Chagas Freitas)

28.5.12

(seis anos )




Desde a sua primeira memória aos quatro anos, “A PRIMEIRA RECORDAÇÃO QUE TENHO é demasiado inconcreta. Lembro-me de pensar: «Tenho quatro anos.» (…) Comigo também é assim. (…) Não me lembro do sítio onde estava. Lembro-me do meu corpo pequeno e lembro-me de saber que existia.”
“OS MEUS AMIGOS ANDAVAM TODOS comigo na escola. No primeiro dia em que fui à escola, com seis anos acabados de fazer, foi a minha irmã Anabela que me levou. A maioria dos alunos ia com a mãe. Eu fui com a minha irmã Anabela. (…) Quando entrámos na sala, olhámos para todos os lados. Éramos tímidos ou tínhamos vergonha.” É curioso que todos nós comportamos da mesma forma quando começamos uma nova etapa, quer tenhamos 6 anos e iniciamos a escola primária, quer seja no nosso primeiro dia de trabalho… acho que nunca muda o nervoso miudinho de não saber o que nos espera, das pessoas novas que vão “entrar” na nossa vida. A mudança assusta qualquer um, mesmo que seja uma boa mudança, mesmo que saibamos que é melhor para nós. Por isso mesmo, é sempre de louvar os que não se acomodam e lutam por mais e mais!
As conversas com os filhos “- ANDRÉ, DEIXA OS BRINQUEDOS. Está na hora de ires dormir.
- Porquê, pai?
- Porque já é tarde (…) Porque os meninos, e todas as pessoas, têm de descansar.”
“SOU O TEU PAI, Quando te seguro ao colo, entro no teu olhar, passo-te os dedos pelas faces e sinto que também eu tenho duas semanas porque uma parte de mim nasceu contigo há duas semanas.”
Quando falas como pai, simplesmente revejo-me no meu papel de mãe!
Quando falas como filho, comoves-me e fazes-me senti-me como se fosses meu irmão…

Três Pilares



Tudo acaba por assentar em três pilares, que são três idades: os seis, os catorze e os trinta e seis anos…

É através desta grande multiplicidade de temas que ele “abraça” os leitores, contando histórias e aventuras da sua própria vida pessoal e íntima. “ (...) Não se está a revelar nada que não seja da esfera do humano." Podemos considerar este “Abraço” como uma abertura ao seu mundo.

A construção deste livro é semelhante a uma árvore (por instantes também os meus pensamentos recuaram às aulas da professora Tânia Sardinha a falar da Poesia Visual quando li a palavra árvore), arvore essa no sentido em que tem um tronco com diversas ramificações. Esse tronco, a partir do qual tudo vai derivando, não é mais do que uma sequência autobiográfica, o que faz com que o livro seja, em certa medida, um livro de memórias e de recordações.

21.5.12

ABRAÇO – TUDO O QUE TEMOS, O QUE SOMOS, O QUE FAZEMOS, A VOZ QUE OIÇO…







"QUANDO LEIO, HÁ UMA VOZ QUE LÊ DENTRO DE MIM. Paro o olhar sobre o texto impresso, mas não acredito que seja o meu olhar que lê. O meu olhar fica embaciado. É essa voz que lê. Quando é séria ouço-a falar de assuntos sérios. Às vezes sussurra-me. Às vezes grita-me. Essa voz não é a minha voz. (...) A voz que ouço quando leio existe dentro de mim, mas não é minha. Não é a voz dos meus pensamentos. A voz que ouço quando leio existe dentro de mim, mas é exterior a mim. É diferente de mim. Ainda assim, não acredito que alguém possa ter uma voz que lê igual à minha. Mas, claro, não posso ter a certeza absoluta. Não só porque uma voz é indiscritível, mas também porque nunca ninguém me tentou descrever a voz que ouve quando lê e porque eu nunca falei com ninguém da voz que ouço quando leio"…

14.5.12

Leitores para Abraço, de José Luís Peixoto

4.5.12

Este é um livro que pretende abraçar todos os leitores




Já várias vezes me referi ao gosto pela leitura que me foi incutido pela professora Dina Baptista. A melhor prenda que lhe podem oferecer é um livro e agora comigo passa-se o mesmo.

Em “Abraço”, José Luís Peixoto diz-nos que:
" Os livros, esses animais opacos por fora, essas donzelas.Os livros caem do céu, fazem grandes rectas e, ao atingir o chão, explodem em silencio.Tudo neles é absoluto, até as contradições em que tropeçam.E então lá, aqui, a olhar-nos de todos os lados, a hipnotizar-nos por telepatia.Devemos-lhes tanto, até a loucura, até os pesadelos, até a esperança em todas as suas formas."


30.4.12

O meu primeiro contacto....


Aveiro 19 de dezembro de 2011, 18:29H, Livraria Bertrand (Fórum Aveiro).
Entrámos os dois ao mesmo tempo na livraria, José Luís Peixoto chega tranquilo, com as mãos nos bolsos e com o seu jeito meio tímido, sorriso terno e um punhado de histórias para contar.
Começou por referir que este livro nasceu das colaborações que fez ao longo destes anos na imprensa. Viu os textos a crescer e sempre teve a ideia de que um dia haveria de os organizar de alguma forma – “os que continuavam a merecer ser lidos”. Achou que agora era o momento, já tinha uma quantidade muito boa de textos e que podia fazer uma escolha. Dentro das diversas naturezas que existem neste livro, o que fazia para ele mais sentido era fazer uma organização que acompanhasse a narrativa memorial que estes textos que têm como eixo a sua história pessoal (que vai desde a sua primeira memória, com quatro anos, até a coisas que aconteceram atualmente) os seus filhos de 6 e de 14 anos e ele próprio de 36 anos - estas idades acabam por ser muito importantes e ajudaram-no a levantar a grande tenda que é a sua vida.
Resumindo, ao contrário do que se possa pensar e de que eu própria pensava, “Abraço” não é um livro de crónicas. “Abraço”, junta textos dispersos e oferece-lhes uma narrativa. Os textos são ligados por um fio condutor que é o da sua própria vida. Dez anos de escrita que se pretende útil: entre ficção e realidade – “as palavras devem fazer bem as quem as lê, porque chegam para lá do que é visível”.
O livro assenta muito nos conceitos ‘família', ‘paternidade', ‘amor' e ‘morte'...

24.4.12

Apresentação de José Luís Peixoto

20.4.12

Vida e Obra

José Luís Peixoto, 37 anos, é um dos escritores portugueses com maior sucesso. "Nenhum Olhar", o seu romance mais conhecido, foi galardoado em 2001 com o Prémio José Saramago, está traduzido em 22 línguas.
Licenciado em Literaturas Modernas. Desde há cerca de uma década, vive exclusivamente da escrita: romances, contos, peças de teatro, crónicas e também letras de canções para estilos tão distintos como o fado ou o heavy metal.
Defensor confesso das redes socias. Foi o próprio José Luís Peixoto quem deu a notícia na sua página oficial Facebook a quando o lançamento do livro “Abraço”. Postou apenas no Facebook esta simples frase "O meu novo livro chega às livrarias no final de outubro, chama-se 'Abraço' e tem 846 385 caracteres".
OBRAS PUBLICADAS
· 2000 - Morreste-me
· 2000 - Nenhum Olhar
· 2002 - Uma Casa na Escuridão
· 2003 - Antídoto (em parceria com os Moonspell)
· 2006 - Minto Até ao Dizer que Minto
· 2006 - Cemitério de Pianos
· 2007 - Hoje Não
· 2007 - Cal
· 2010 - Livro
· 2011 - Abraço
· 2012 – A Mãe que Chovia…
POESIA
· 2001 - A Criança em Ruínas
· 2002 - A Casa, A Escuridão
· 2008 - Gaveta de Papéis
PRÉMIOS
· Prémio “Jovens Criadores” do Instituto Português da Juventude de 1997,1998 e 2000
· Prémio Literário José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores, 2001
· Prémio Daniel Faria, 2008

28.3.12

Sinopse - Abraço

A infância, o Alentejo, o amor, os filhos, a escrita, a leitura, as viagens, as tatuagens, a vida. Através de uma imensa diversidade de temas e registos, José Luís Peixoto escreve sobre si próprio. “Tudo se fica a saber neste livro, ele conta a minha vida ao pormenor”.

Este é um livro de milagre e de lucidez. Para muitos, a confirmação. Para outros, o acesso ao mundo de um dos autores portugueses mais marcantes das últimas décadas.

Podemos dizer que este é um livro de memórias. “Das suas”.

José Luís Peixoto aconchega-nos nas suas memórias como se fossem nossas. Em Abraço, ele regressa à infância: dos seus filhos, à sua, à de todos nós, e aos pormenores que quase nos esquecemos de esquecer.

Este é mais do que um livro de palavras hábeis. Este é, efetivamente, um livro, como estamos habituados em José Luís Peixoto, com poesia e vida real. Abraço (Quetzal) compila pequenos textos, que o escritor foi publicando na imprensa ao longo de dez anos, numa sequência de momentos da sua vida, e que podiam bem ser da nossa vida. José Luís Peixoto é assim: deixa as pessoas entrar com naturalidade.