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4.6.12

Reencontrar PEDRO e INÊS

Último Dia



“Outro dia verás que te amanheça
Mais claro, e mais ditoso: em que a coroa,
Que t’espera, terás sobre esses teus
Cabelos d’ouro. Alegra-te entre tanto.
Deixa vãs sombras, deixa tristes medos”


António Ferreira, A Castro

D. Inês recorda a noite de paixão arrebatadora com Pedro e, pressagiando a sua desgraça, não consegue distinguir a realidade do sonho. “Pedro disse-me que seríamos finalmente marido e mulher, ou foi apenas um sonho?
Enquanto a sua mente se perde em desvaneios, surge El-Rei D. Afonso IV com os seus carrascos, o qual lhe anuncia a sua decisão de a matar, invocando razões de estado.
D. Inês procura defender a vida alegando que o único crime que cometeu foi ter amado Pedro, revelando desconhecer os desígnios de seus irmãos.
No entanto, os seus argumentos não comovem o rei que ordena a sua execução “ O meu olhar turva-se e os meus gestos cessam.”.

Em jeito de prolepse, D. Inês revela a reação e atitudes tomadas por D. Pedro na sequência da sua morte, “ Serei mártir, serei amada, serei admirada, serei cantada e reconhecida, para sempre serei lembrada neste reino e em tantos outros, por ter sido bela, por ter sido sacrificada, por ter sido mulher...”. 

6º Dia


“Mas não há para ti, para os amantes
Sono plácido, e mudo:
Não dorme a fantasia, Amor não dorme:
Ou gratas ilusões, ou negros sonhos
Assomando na ideia espertam, rompem
O silêncio da morte.”


Manuel Barbosa du Bocage, À Morte de Inês de Castro http://purl.pt/1276/1/poemas.html

Quer dizer então que estou salva?” “Estás sim, meu amor.”
Estarei a sonhar? ”Quando menos espera, surge D. Pedro que regressa após uma longa ausência.
Dona Inês descreve a forma apaixonada e arrebatadora como vivem este reencontro, não se coibindo de referir as práticas sexuais deste e de outros encontros, também eles muito fogosos.
Questionada por Pedro sobre o motivo pelo qual está a chorar, Inês  apresenta-lhe as suas preocupações “ Sou apenas uma alma perdida, fechada num corpo de mulher. Nunca verei a minha dignidade consagrada aos olhos de Deus (…) como é de direito a uma esposa legítima, nunca usarei a coroa de rainha, nunca terei os súbditos ajoelhados a meus pés nem assistirei à coroação do meu primogénito.”
Pedro sossega-a, dizendo-lhe que tudo está nas suas mãos e que finalmente poderão casar. Jura-lhe ainda que será rainha de Portugal e apresenta como justificação da sua ausência a necessidade de se assegurar das boas intenções do pai, visto que não confia nele.
Teresa, aia de Inês, confessa o amor que sente por Pedro e os ciúmes que sente desta. Afirma também que foi por causa destes que fez chegar aos ouvidos da rainha D. Brites que Pedro e Inês eram amantes.
Termina fazendo um retrato das mulheres e da forma como estas utilizam os seus atributos físicos e a sua astúcia para conseguirem o que querem.




3.6.12

"Porque todos nós temos o nosso FADO!"

Como a História viu a história de Dom Pedro e Dona Inês de Castro!

2.6.12

5º Dia


“Qual será o coração
tão cru e sem piedade,
que lhe não cause paixão
uma tão grã crueldade
e morte sem razão?”


Garcia de Resende, Trovas à Morte de D. Inês de Castro - http://cfp.cm-lisboa.pt/pls/htmldb/f?p=334:5:2189754000547293::::P5_ID,P5_TIPO:81,autor#1


A consciencialização por parte de Inês de Castro do perigo que corre e a aceitação do seu destino. “Estou aqui sentada à espera da morte …”.
Dia consagrado ao balanço de uma relação que se aproxima do fim, em que o sentimento de culpa a invade  “Agora que sinto o fim aproximar-se (…) reconheço que fui leviana e imprudente ao deixar que Pedro me visitasse na madrugada das núpcias (…) antes de visitar Constança.  
A minha consciência arrependida atormenta-me pois feri profundamente Constança …”.
Envolvida por este arrependimento, Inês relata a sua história com a esposa de D. Pedro, a quem esteve ligada desde muito nova. Contudo, continua a acreditar no amor “… sim porque sei-o agora, o nosso amor sempre foi divino e é por isso que se tornará eterno.”
Crença inabalável ou forma de justificar a sua leviandade e o facto de ter traído uma amiga?
Possessa, que Inês de Castro fez renascer das cinzas da loucura, é mais uma das personagens que pressente que a morte de Inês está cada vez mais próxima, pois, segundo diz, consegue ver esse fim desenhado nas nuvens do céu.
No seu discurso, explica por que razão aos poucos e poucos voltou a ser ela própria regressando assim à terra dos vivos, ato que atribui à preciosa e persistente ajuda de Inês.

4º Dia


“Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito”

Camões, Os Lusíadas, Canto III

“O MONSTRO”, Diogo Lopes de Pacheco, http://aviagemdosargonautas.blogs.sapo.pt/219046.html  é, para Dona Inês, o responsável por toda a sua má sorte, nesta história que a História registou.
Segundo ela, terá sido este quem idealizou todo um plano maquiavélico contra si, não pelo facto de ter sido amante de D. Pedro, mas sim, por ser uma Castro e poder fazer perigar a independência do reino de Portugal.
Terá acontecido como diz o povo “mais vale prevenir do que remediar?”
Não saberia Dona Inês que todas as nossas opções têm uma consequência e que somos responsáveis por elas, quando insistiu neste amor?
Qual será a razão que leva um homem a não aceitar a felicidade que persegue quando lha dão?
Por teimosia, por lhe ter sido imposto, ou apenas para contrariar o seu pai, o Rei de Portugal, como afirma Diogo Lopes de Pacheco!
Em dúvida fica também o seguinte: Terá Dom Pedro tomado consciência dos riscos que corria e fazia correr a sua amada, quando adotou estes comportamentos?

1.6.12

“Um grande amor nunca é espontâneo”


3º Dia
“Um grande amor nunca é espontâneo”

Agustina Bessa-Luís, Adivinhas de Pedro e Inês
Em 1986 Agustina Bessa-Luís (1922-) publicou as Adivinhas de Pedro e Inês;

Inês salienta a forte relação de amizade e confiança que mantem com as suas criadas, Remédios e Clara, a quem confia os filhos e refere-se também à história de amor que ambas vivem.
Confessa que aceita com mais facilidade o amor físico entre duas mulheres “… do que a penitência de uma vida que nega o prazer carnal por amor Divino”.
Tu és aquela que amo, nunca haverá outro amor assim…
É deste modo que inicia o relato da sua relação com D. Pedro e de todas as histórias de amores e desamores por eles já vividas e termina dizendo “… conhecer o amor de um homem como aquele que Deus me concedeu através de Pedro é uma sorte tão rara…
Remédios, aliás Jala, uma moura, conta em breves páginas toda a história da sua vida, desde as suas origens até se tornar confidente de D. Inês.
Termina fazendo um novo presságio sobre o futuro da ama “Pobre dama, a quem a vida já deu tudo, para agora tudo lhe tirar”. 

27.5.12

2º Dia



“Então não tem lugar certo onde aguardo
Amor; trata traições, que não confia
Nem dos seus. Que farei quando tudo arde?”

Sá de Miranda, Cancioneiro Geral de Garcia de Resende

Toda uma vida contada através de sonhos, que se vão confundindo com a realidade, serve de mote para que D. Inês faça a caraterização de Afonso Madeira, escudeiro de D. Pedro.
Pior do que um homem com mau carácter, é um homem que simplesmente não o tem, pois é por falta dele que se comentem as maiores atrocidades.”
Segundo diziam as más-línguas, Afonso Madeira terá sido o outro grande amor do Infante e quis o destino e também D. Pedro que fosse o escolhido para proteger D. Inês e seus filhos.
Mas quem se sente protegido, por alguém em que não confia?
Serão os ciúmes de D. Inês que a levam a ter estes pensamentos sobre o escudeiro?
Os pensamentos de Afonso Madeira surgem na narrativa em jeito de contraditório ou direito de resposta, mas que provam, uma vez mais, que o sexto sentido das mulheres, afinal existe mesmo!

17.5.12

Pedro e Inês





Passados quase 700 anos a história de Amor de Dona Inês de Castro e Dom Pedro mantem-se atual!
É a busca do Amor que parte para parte incerta.

9.5.12

Assim começa o primeiro dos últimos sete dias da história deste amor!





Frio, vazio, medo e silêncio. Depois, nem frio, nem medo. Na verdade não sinto nada. A minha alma está livre e voa para outro lugar. Vejo o Paço lá em baixo, a horta, o convento, o hospital, os verdes campos de Coimbra, o rio Mondego, as colinas de oliveiras e a Fonte dos Amores longe, cada vez mais longe. Para onde me leva o meu sonho? Já não sou Inês de Castro, já não sou nada. E, no entanto, sinto que sou tudo e que sou livre.” Pg. 15

São feitas ao longo deste capítulo várias referências à ausência de D. Pedro, que terá partido, juntamente com os irmãos de D. Inês, para parte incerta. “Por onde andas, meu amor maior?” pg. 30
É introduzido através do diálogo com D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior da Ordem do Hospital o primeiro anúncio da desgraça que se avizinha e que a própria heroína presente. “Espero por ti a cada instante, sonho contigo acordada, vejo-te nos traços dos nossos filhos, pois estais em toda a parte e tudo sois para mim. Por isso te peço, por tudo o que há de mais sagrado nas nossas vidas, pelo nosso amor e pela saúde dos nossos filhos, que voltes depressa, meu amor maior, antes que os ventos da desgraça que hoje se anunciaram irrompam pelas portas da minha morada para me ceifar da terra e entregar a minha alma perdida de dor e de desespero ao Criador.” Pg. 31
O capítulo termina com várias reflexões do Prior acerca da influência que D. Inês exerce sobre D. Pedro e do seu possível envolvimento contra os interesses do reino. “Se Inês sabe ou não o que se passa, se participa na influência que os irmãos têm sobre Pedro, isso agora pouco importa. Portugal corre perigos de vária ordem e, por algum lado, el-rei terá de começar para que a ordem regresse ao seu reino.
Talvez Inês esteja inocente, mas os seus irmãos certamente não estão. E se tiver de ser, que pague o inocente pelo pecador e que se faça a vontade de Deus Nosso Senhor.” Pg. 44 

1.5.12

"Outra forma de contar a mesma história!"

10.4.12

A minha apresentação

Narrativa contada na primeira pessoa, estando dividida em sete capítulos que são precisamente os primeiros sete dias do ano de 1355 e os últimos dias de vida de Inês de Castro.
Tal como referiu Margarida Rebelo Pinto na entrevista concedida aquando do lançamento do livro, nota-se que foi feito um apurado trabalho de pesquisa histórica, nomeadamente, no uso da linguagem da época que a autora consegue fazer de forma brilhante, facilitando desta forma a leitura da obra.
A nível gráfico salienta-se a utilização de dois tipos de letra diferentes, destacando-se assim o discurso proferido pela heroína do discurso das restantes personagens.

28.3.12

Sinopse - Minha Querida Inês

A história trágica de D. Inês de Castro, pela sua universalidade e intemporalidade, é inesgotável. Margarida Rebelo Pinto revela-nos os meandros deste universo fascinante, desmontando todos os passos da vida de D. Inês na semana que antecede um destino inelutável: a sua execução no dia 7 de Janeiro de 1355. Através da perspectiva de D. Inês vamos conhecendo os segredos da alma desta heroína e as maquinações das razões do Estado que determinaram o fim de uma vida mas não do amor.Uma estreia surpreendente no romance histórico de uma escritora que, pela sua extraordinária capacidade de penetrar no íntimo de cada personagem, dá voz a D. Inês, D. Pedro, D. Afonso IV e a outros protagonistas deste momento inesquecível da nossa História. Despidos das suas máscaras, ficamos a conhecer melhor as suas forças, fraquezas, motivações e desejos íntimos. Novas e surpreendentes revelações deste período único da História de Portugal dão sentido à frase que eterniza o amor de D. Inês e de D. Pedro: “Até ao fim do mundo”.

4.3.12

Margarida Rebelo Pinto "Minha Querida Inês"

Minha querida Inês



Sinopse-

Os últimos dias da maior heroína romântica de Portugal. Uma história apaixonante, envolvente e perturbadora. Nunca haverá outro amor assim.

Minha Querida Inês é fruto de investigação histórica misturada com a paixão de Margarida Rebelo Pinto por mulheres fortes, cuja presença sempre foi uma constante nas suas obras. A Inês aqui retratada é uma mulher corajosa e apaixonada que fala sem pudor da sua vida íntima e da sua visão do amor, da família, de deus e do mundo.
Inês morre por amor. Se foi " a ruça que queria roubar o reino", ou apenas vítima de uma intriga política, nunca saberemos. A Inês que aqui fica é uma mulher inteira, de carne e osso, com cabeça, coração e estômago, que sente e que pensa à frente da sua época e, por isso mesmo, sábia e intemporal.